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Orgulhos Feridos

O ser Humano é um bixo muito curioso mesmo. Ele é capaz de executar tarefas complexas maravilhosas e obtém grande satisfação ao compartilhar o deleite delas com os seus semelhantes. Por sua vez, a sociedade costuma atribuir mais valor ou poder a pessoas devido as suas realizações. Por razões óbvias, as pessoas em sua maioria dedicam a vida em busca de obter tal reconhecimento muitas vezes abrindo mão de uma vivência mais interdisciplinar para não "perder o foco" no objetivo maior que é ser um super especialista renomado e rico. Os únicos que escapam deste paradigma são os gênios. Os gênios, são pessoas que receberam de Deus o privilégio de não precisarem se esforçar como os demais para orgulhar os seus pais. Eles simplesmente vivem e encantam mesmo sem querer ou sem nem mesmo perceber toda a beleza de suas obras. A existência dos gênios provoca um único efeito colateral: A Inveja. Na minha opinião, o exemplo mais clássico de tal efeito foi o personagem "Signorini" no filme Amadeus. O cara não pôde conviver com o sentimento ambíguo de amor e inveja pelas obras de Mozart, terminando por adoecer o gênio levando-o a morte. Quando assisti o filme fiquei imaginando se tal trama poderia realmente ter acontecido ou teria tal história sido apenas a obra do roteirista do filme. Pois bem. Descobri que Leonardo da Vinci teve lá o seu "Signorini", porém este foi mais ético. O pai de Leonardo, percebendo no filho aos 17 anos, talento para as artes, o levou ao atelier de um mestre das artes local chamado Verocchio que o aceitou como aprendiz. Muito bem, o jovem Leonardo se dedicou a aperfeiçoar suas habilidades, Rapidamente ele se destacou e passou a ficar responsável por executar fragmentos periféricos nas obras de Verocchio. A cada trabalho, o mestre se impressionava com os progressos de Leonardo. Até que aconteceu a obra intitulada O Batismo de Cristo na qual Leonardo pintou o fragmento do rosto de um anjo no canto inferior da obra. A perfeição da obra do pupilo feriu de forma tão avassaladora o orgulho do mestre que, segundo conta a história Verocchio nunca mais teria pintado.
Sabendo do ocorrido, passei a me perguntar se realmente Verocchio dependia tanto do seu orgulho para continuar pintando... Será o orgulho humano o responsável pela motivação ou a inspiração? Não consigo imaginar que alguém não possa continuar a produzir no seu trabalho, apenas por saber que não é mais o melhor. Incrível.